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Cooperativismo : Fazenda diz que IR sobre a poupança é saída temporária
em 22/09/2009 11:04:17 (254 leituras)


Fazenda diz que IR sobre a poupança é saída temporária


A cobrança de Imposto de renda sobre o ganho da Caderneta de poupança é uma saída temporária para permitir que os juros continuem caindo e que empurra para o próximo presidente a decisão de mexer em definitivo num dos temas mais polêmicos da economia.


Em entrevista à Folha, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, diz que o texto já encaminhado para assinatura do presidente Lula garante ao país dois anos para discutir uma reformulação das regras que dão hoje à caderneta uma Remuneração mínima de 6,17% ao ano.


"É uma solução temporária, que dá conta de estabilizar a situação para uma Taxa Básica de juros nominal de até 7% ao ano, que é o cenário que se prevê para a Economia brasileira nos próximos 12 a 24 meses." Para o secretário, a medida não impedirá que os Fundos de investimento cortem suas taxas de administração. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Folha.


FOLHA - Há o Risco de não cumprir a meta de superavit deste ano e de 2010?


NELSON BARBOSA - Segundo as avaliações do Tesouro, da Receita, somos capazes de cumprir a meta neste e no próximo ano. Tendo em vista o impacto da crise, flexibilizamos a meta e ainda temos o fundo soberano para usar se for necessário.


FOLHA - O fundo pode ser uma fonte de receita para incentivos a investimentos. Quando será o momento de usá-lo?


BARBOSA - Essa é uma decisão para dezembro, quando o PIB do terceiro trimestre será divulgado. Lá teremos uma ideia bem clara do ritmo de recuperação da Economia brasileira e como a receita está respondendo a isso.


FOLHA - Qual é o custo?


BARBOSA - Cada ponto percentual sobre a folha equivale a R$ 3,5 bilhões a R$ 3,7 bilhões [em receitas].


FOLHA - A ideia é reduzir em quanto?


BARBOSA - Há várias propostas. Provavelmente para ser possível tem de ser gradual, ao longo de vários anos.


FOLHA - Como enfrentar o problema do real valorizado?


BARBOSA - A política do governo continua sendo de Câmbio flutuante e o ajuste se dá pelos efeitos da própria apreciação ou depreciação do câmbio. A política é deixar o Câmbio flutuar, mas ter sempre alto nível de reservas internacionais.


FOLHA - Porque o governo optou por tributar a Caderneta de poupança em vez de resolver o problema criado pelo rendimento fixo e mexer na Indexação da aplicação à TR?


BARBOSA - O que fizemos foi simplificar a proposta [anterior], para o consumidor ter mais facilidade para se adaptar a essa proposta. A atual regra da Poupança estabelece um piso para Taxa de Juros no Brasil. Se há uma aplicação que paga, sob qualquer circunstância, 6,17% ao ano, na prática, essa é a taxa mínima da economia. Obviamente isso terá que ser enfrentado, à medida que a Selic continue a cair.


FOLHA - Mas essa é uma solução temporária?


BARBOSA - É uma solução temporária que dá conta de estabilizar a situação para uma Taxa Básica de juros nominal de até 7% ao ano, que é o cenário que se prevê para a Economia nos próximos 12 a 24 meses.


FOLHA - A regra permanente terá de vir em 2011?


BARBOSA - Depende do comportamento da taxa de juros. Essa solução que temos dá conta do cenário previsto para 2010 e 2011. Ela resolve o problema atual e possibilita que o Brasil decida nesses próximos dois anos como adaptar permanentemente essa estrutura financeira.


FOLHA - Essa solução temporária não beneficia os fundos de investimentos, que não precisam mais reduzir taxas de administração, consideradas elevadas?


BARBOSA - Com a queda da remuneração, os fundos terão de reduzir suas taxas de administração para serem competitivos com a poupança.


 


Folha de São Paulo – 22/09/2009



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